Geração Distribuída é a solução para o setor de energia?

Post de blog
29 de janeiro de 2018

Reservatórios de água mais escassos e riscos de apagões são preocupações reais do setor

A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) tem como objetivo realizar estudos e pesquisas para o planejamento do setor energético. Há previsões para todos os gostos: diário, semanal, mensal, anual, dez anos e até cinquenta anos à frente. Mas você sabe o que está por vir? O cenário é bastante desafiador para o Brasil. A boa notícia é que parte da solução é viável caso a geração distribuída de energia continue a ganhar força, ou seja, a saída está na geração de energia no centro de carga, na qual o consumidor final pode gerar a sua própria energia.

A matriz energética brasileira ainda é dominada pela geração hídrica através das grandes hidrelétricas, porém, devido à complexidade do setor aliada a outras dificuldades como licenças ambientais e a consequente necessidade de diversificação através de outras fontes e soluções energéticas, a geração distribuída ganhou terreno.  A GD, como é chamada, se caracteriza pela geração de energia elétrica na própria instalação do consumidor por meio de geradores de energia elétrica, podendo se utilizar o combustivel gás ou diesel, painéis fotovoltaicos e até pequenas torres eólicas.

No caso dos geradores de energia elétrica a gás a instalação possibilita uma automatização da operação, seja na identificação da falta de fornecimento de energia pela concessionária ou em horas programadas, por exemplo no horário de ponta quando a energia tende a se tornar mais cara. Com este tipo de geração, os consumidores, além de se protegerem contra possíveis apagões, também conseguem uma economia no custo da energia e a eficiência aumenta significativamente pois as perdas geradas nas linhas de transmissão podem alcançar até 20%.

Obviamente que as grandes usinas hidrelétricas não vão parar e nem podem, apenas haverá espaço para outros modelos de negócio, como a utilização do gás natural e biogás por serem fontes de energia firme, na qual o gerador pode ser acionado em horários programados, como os de pico, aliviando a carga do sistema, diferente das fontes de energia eólica e solar, que são intermitentes e necessitam de condições climáticas favoráveis para a geração de energia. Em alguns momentos estas fontes não conseguem suprir a carência de energia.

Que carência de energia é essa? E, afinal, qual é o tal cenário?

O nome causa até arrepios nos brasileiros: apagão. Não vamos entrar no mérito dos tais planejamentos a curto e longo prazo, somente explicaremos o que se passa no país em relação ao consumo de energia e os reservatórios de água, que estão bem abaixo do necessário. Entre outras palavras, falta chuva – e muita.

No início de novembro de 2017, dados mostravam que a água armazenada no Sudeste do país estava em apenas 17,7%, sendo que ela corresponde a 70% da capacidade nacional de acumulação. O Nordeste, que corresponde a 17,8%, estava trabalhando com apenas 6%. Apesar de uma atual recuperação, ainda estamos longe do ideal.

A situação só não é mais crítica porque o país passou por crises econômicas e políticas recentemente, o que levou a população e as empresas a uma redução no consumo de energia. Entretanto, na contramão disso, a população continua a aumentar e os índices sugerem uma leve melhora no bolso do brasileiro. E agora, esperamos pelo pior ou as soluções aparecem?

Ao contrário de outros sistemas de redes, como saneamento, a energia elétrica não é armazenada de forma economicamente viável, ou seja, há necessidade constante de se manter equilíbrio entre oferta e demanda, mas, quando não há, o sistema corre risco de desligamento em cascata, o apagão. A preocupação é que este desequilíbrio possa ocorrer a qualquer hora em algumas regiões do país por conta do aumento das temperaturas e aumento no consumo, afinal a economia precisa crescer e mesmo neste cenário de depressão estamos acima da demanda máxima de energia de 2016 e perto da demanda máxima de 2017, isto é, a expectativa é que ultrapassemos a última demanda máxima registrada já em fevereiro 2018. E, para piorar, como falamos, os reservatórios não estão nos níveis ideais, as termoelétricas estão sucateadas necessitando de manutenções e a intermitência da energia eólica gera uma baixa eficiência para o sistema, ou seja, a atual matriz elétrica brasileira não garante um fornecimento de energia estável caso o consumo de energia do Brasil aumente significativamente.

Sim, os riscos são reais, a preocupação é constante, mas parte da solução envolve adotar novas formas de gerar energia que possam suportar a alta demanda energética proveniente do parque industrial do país. Nesse cenário, acompanhar as mudanças do setor energético, assim como alternativas (geração distribuída) é, além de salutar, recomendável para que as empresas não parem por causa de possíveis apagões. Mesmo diante de um cenário nebuloso, ninguém precisa lidar com os fantasmas do passado.